A Importância do Planejamento Estratégico para Associações

Não é simplesmente porque não possuem fins lucrativos que as associações não necessitam criar planos estratégicos e planos de negócios. Muito pelo contrário.


Uma vez que as associações trabalham com recursos provenientes de contribuição de anuidades de membros, patrocinadores, doadores, arrecadações em eventos etc., essas organizações possuem o dever de gerenciar esses recursos com muito mais responsabilidade e cuidado, criando planos estratégicos claros e mensuráveis.

Associações possuem uma série de complexidades e peculiaridades que transformam o planejamento estratégico em uma ferramenta primordial e fundamental para seu bom funcionamento, tais como:

  • Lucro vs Missão – Infelizmente, ou felizmente, o lucro é um atrativo para o alinhamento estratégico e, por isso, organizações sem fins lucrativos pecam por não enxergar e adotar esse mesmo posicionamento uma vez que estão direcionadas para uma “missão nobre”, uma causa ou um objetivo mais evasivo e menos específicos como o lucro em si.
  • Voluntários vs Funcionários – Uma grande diferença também diz respeito à mão de obra das associações. Na maioria das vezes, associações trabalham com voluntários em seus quadros, enquanto organizações com fins lucrativos sempre possuem funcionários contratados.

A diferença não está apenas na “forma de contratação”, mas principalmente na diferença de tratamento. Os funcionários são motivados por um conjunto complexo de benefícios, enquanto os voluntários são motivados por características sutis e por um grau de envolvimento muito maior.

Sempre é possível a substituição de um funcionário que não performa, não se adequa à organização ou se afastam das prioridades, enquanto que voluntários fazem parte do ecossistema das associações e, uma vez afastado das prioridades, o esforço é inverso, é importante trazer os voluntários novamente para junto da associação e envolve-los das melhores formas possíveis. Existe sempre um limite sutil entre cobranças, performances e colaboração, ou seja, é um constante pisar em ovos.

  • Captação de recursos – Os recursos são geralmente provenientes de fontes especificas e tradicionais como a taxa de membros e o resultado de eventos, enquanto nas organizações com fins lucrativos o céu é o limite para as receitas e o desenvolvimento de produtos/serviços. Aqui vale uma ressalta também, pois muitas vezes a falta de novas oportunidades para a geração de receitas diz respeito à mentalidade das associações e a falta de visão em alternativas não tradicionais de geração de recursos, como cursos, publicações, certificações etc.
  • Alocação de recursos e gastos – embora nas organizações com fins lucrativos as prioridades podem ser contraditórias, às vezes elas sempre estão direcionadas à obtenção de lucro e receita. Por outro lado, nas associações, essas prioridades são igualmente importantes e altamente contraditórias, mas com o agravante de que os recursos são escassos e com finalidades subjetivas.
  • Estruturas organizacionais – diferente das empresas que possuem uma estrutura altamente gerenciável, nas associações estas estruturas são variáveis e estas diferentes formas de gestão das associações impactam diretamente a tomada de decisão.
  • Além do medo de correr riscos e encarar mudanças – justamente por todos esses pontos, a adoção de um plano de negócios é fundamental para o sucesso das associações. Esse planejamento não eliminará as complexidades e os obstáculos que as associações enfrentaram no dia a dia, mas com certeza podem auxiliar a encontrar a luz no fim do túnel para esclarecer mandatos, prioridades, responsabilidades, cronogramas e atividades necessárias para que estas associações possam concentrar seus esforços no que está em seu cerne: a missão junto à sociedade e contribuições.

Encarar as associações da mesma forma que as empresas e manter uma administração profissional e cada vez mais dinâmica é um caminho, mas infelizmente essa realidade ainda não alcançou as diretrizes comuns às empresas pois as associações precisam encontrar seus próprios caminhos, em que os processos, embora necessariamente semelhantes, possuam uma abordagem mais compartilhada, deliberada e ponderada de planejamento e execução.

Autor: Murilo Durigan